No dia do Meio Ambiente…
05/06/2011
Eu decidi selecionar ações/inovações/produtos que tem tudo a ver com a idéia de sustentabilidade e de preservação do meio ambiente. É estranho como isso “entrou na moda” nos últimos anos, pois há muito tempo sabe-se do impacto que as ações do cotidiano têm no meio ambiente e na qualidade de vida, a diferença é que grande parte dessas informações ficava presa nas diretorias e laboratórios de grandes empresas ou nas salas de reunião do governo.
Felizmente, com a pulverização dos meios de comunicação e uma maior democracia na produção de conteúdo, a gente diferenciada está cada vez mais próxima da informação. Aquele papo de “no meio tempo não fazia mal” começa a dar lugar ao “mas naquela época a gente não sabia”.
Lá no fim do post tem um vídeo muito bacana, ao assistir você sente uma mistura de indignação e impotência, mas no fim percebe que a principal ação a ser realizada é realmente muito simples. São 20’ em inglês, mas é beeem fácil de entender!
Bom, aqui estão os selecionados:
#1 Trash Classification
O chinês Hu Xinyuan criou um utensílio capaz de selecionar o lixo do escritório.

Não é nada mais que um “copão adaptado” que você coloca na boca do lixo para separar em orgânicos/recicláveis. Simples e genial, mas como diria um amigo meu: mas isso que é Design.
Apesar de ter sido pensado para escritórios, ele pode ser usado em qualquer outro lugar, evitando um monte de lixeiras espalhadas.
Infelizmente, o projeto ainda não está a venda, mas isso não impede que pensemos em fazer de forma artesanal.
#2 Garrafa PET 100% reciclável
A PepsiCO anunciou que em 2012 começa a produção piloto de garrafas com origem vegetal renovável e 100% recicláveis, feitas com capim, casca de pinheiro e milho. A empresa afirma que elas têm a mesma resistência, aspecto e consistência das outras do mercado.
#3 Preservação de árvores nas cidades
Essa é uma ação bem simples feita em São Paulo para divulgar a Fundação Amazonas Sustentável e chamar a atenção das pessoas para o desmatamento urbano. Não sei qual o impacto que ela causou nas pessoas, mas só de fazer com que não passemos por um toco de árvore sem prestar atenção, acho que já valeu.

#4 Jornal vendido por caderno
Gente, tenho que dizer que eu já pensei nisso quando desanimei de comprar um jornal inteiro pra ler duas matérias ou quando via um jornal todo despedaçado pela casa e todo mundo lendo os mesmo cadernos. Quem “colocou em prática” foram os alunos da Miami Ad School NY, mas não creio que os jornais tenham aceitado. Acho que seria uma ação bem digna e inteligente, sairia mais barato e produziria menos lixo no mundo.

#5 WaterLess: jeans com pouca água
Tinha visto um documentário de moda que mostrava uma fábrica de jeans com sua própria empresa de tratamento de água, já faz algum tempo então não consegui lembrar qual era a marca. Não achei o documentário, mas achei essa calça da Levi’s que usa menos de 1L de água na lavagem, enquanto uma calça comum utiliza 42L.
#6 The Fun Theory
Uma das ações mais legais que eu já vi: incentivar hábitos sustentáveis através de brincadeiras. Os vídeos falam por si.
Story Of Stuff
Fonte:
Festa do Teatro
03/06/2011
Começou ontem (2/06) a distribuição de 40mil ingressos para peças na cidade de São Paulo. A Festa do Teatro, que está em sua 3ª edição, visa democratizar o acesso à cultura cênica e é um grande sucesso entre o público.
A última vez que fui ao teatro (ou me torturei por mais de uma hora, fica a seu critério) não tive a melhor das experiências, então a possibilidade de me afogar em várias peças pra remover essa experiência dolorosa da minha cabeça me faz muito feliz.
Mesmo pra quem não está em São Paulo, vale muito a pena. São espetáculos com ingressos que variam de R$10 (como Menecma, do Bráulio Mantovani) a R$250,00 (!!) (como o musical Mamma Mia). Além disso, essa edição conta com peças infantis e áudio-descrição/legenda para deficientes.
Os ingressos são distribuídos em postos espalhados pela cidade, mas tem que correr! Com meio hora de antecedência da abertura da bilheteria você encontra mais de 500 pessoas na fila! Para que um maior número de pessoas possa participar, é possível a retirada de apenas um par de ingressos por pessoas, e não é possível pegá-los individualmente.
Outras informações você encontra no site (que por sinal está bem completo!).
Tocando a Realejo
25/05/2011
Sexta-feira (20/05) fui à comemoração de 10 anos da Livraria Realejo, em Santos. Achei que o chorinho na calçada fosse apenas um show em comemoração ao aniversário, mas descobri que é um happy hour delicioso há mais de 6 anos… e eu nunca tinha ouvido falar! Fiquei triste comigo mesma, porque foi tããão gostoso.

Chorinho de Bolso - Sextas às 18h30
A idéia de ir ao chorinho já me agradou no momento do convite, mas quando adicionaram cervejinha gelada, amendoim e pessoas para todos os gostos, a coisa ficou realmente boa. Parabéns pra Marcos Canduta (violão), Débora Gozzoli (flauta transversal) e pra Realejo pelo encontro semanal despretensioso e, ainda assim, muito bem sucedido.
Livraria Realejo: Rua Marechal Deodoro nº 2 – Santos/SP Tel: (13) 3289-4935
A vida como ela sempre foi – Loro Verz
24/05/2011
Loro Verz é ilustrador, artista plástico, designer e cartunista.

Loro Verz
Descobri esse cara por acaso (se não me engano foi fuçando a vida dos outros) e fui atraída pelo caos das imagens dele, que pra mim têm um efeito “onde está o Wally?”.
Os quadrinhos dele também são muito bons, gosto do tipo de humor que ele usa porque (pelo menos até agora) não me sinto ofendida e (acredite Doélio!) eu até dou umas risadinhas.
Fico feliz por ter descoberto ele a pouco tempo e não ter visto a entrevista dele no Jô, porque me incomoda um pouco ver a cara de artistas que eu gosto, vai que eles parecem pessoas normais. Sem contar que fiquei meio descontente com as últimas entrevistas que vi por lá…
E para os amigos arquitetos fica o link de um desafio que encontrei lá no meio das coisas do Loro: a Batalha Max Haus, um prêmio de 15mil para o projeto mais inovador e versátil feito em uma planta de 70m2.



INT. QUARTO DE PATRÍCIA NOITE
Patrícia decide ir para a cama depois de uma tentativa frustrada de assistir Flashdance pela primeira vez. Com preguiça de dormir, a personagem liga a televisão e encontra “Dilemas de Irene”, programa que já tinha assistido uma vez e acha engraçadinho. Assiste até o fim e surpreende-se com a chamada da próxima atração: “Duas Histéricas”.
____________________________________________________________
Eu já tive minha atenção voltada pra Fernanda Young algumas vezes. Primeiro foi o comercial da Nextel – o melhor de todos – depois os roteiros do “Lavando Roupa Suja” e por último a entrevista na Marília Gabriela. Tenho que confessar que o “Irritando Fernanda Young” me irritava um pouco, mas sei lá, pretendo assistir novamente pra ver se realmente é o que ficou na minha memória. Anyway…
Assisti o tal programa e curti demais. No lugar do texto de enciclopédia, duas mulheres que vão medir se qualquer tamanho de bunda ficava confortável nas pedras sanitárias (ou privadas antigas, fica ao critério de leitor). Como assisti sem muitas informações, fiquei incomodada com o teatrinho da Camila Nunes, mas depois percebi que essa é a proposta do programa, na própria sinopse eles falam das “situações de dramaturgia previamente estabelecidas”. Não me incomodou a falta de etnografia, o programa chama “Duas histéricas” (sextas, 22h45, GNT) e não “Duas viajantes”; se a experiência de tomar banho no Mar Morto é um momento espiritual único, deixa que quando eu for sinto isso ou procuro nos belos documentários do Discovery Channel. Ponto positivo para o programa e para a Fernanda, que mais uma vez foi lá e fez exatamente o que as pessoas não costumam fazer.
Não sei porque hoje acordei com isso na cabeça, acho que comentei sobre o programa com alguém no domingo, e assim que acordei corri para procurar um dos livros dela. Comprei “O Pau”, já tinha ouvido falar dele na entrevista e como queria ler alguma ficção coloquei no carrinho.
Eu andava sentindo falta de pessoas realmente interessantes, vamos ver se achei uma aqui. Se alguém quiser saber do livro, provavelmente vou acabar colocando comentários no twitter, então quem quiser saber olha lá.
É possível analisar a programação das emissoras de sinal aberto através de vários aspectos. E para esse texto, decidi tratar de forma breve a programação.
Seria muito fácil falar do lado de fora a respeito da qualidade dos programas que estão no ar, mas não acredito que essa seja a melhor abordagem, já que as decisões tomadas dentro de uma emissora levam em consideração aspectos como público alvo, orçamento e relações comerciais (possíveis ou pré-existentes), itens ao qual eu não teria acesso suficiente para dar base à minha argumentação. Mesmo considerando pontos como os discutidos por Arlindo Machado, qualquer análise nesse rumo seria muito superficial. Assim, optei por tratar aqui a escolha de novos programas para a grade. No entanto, antes de dissertar a respeito do tema, gostaria de deixar claro que realmente acredito que faltam programas com conteúdo de qualidade apresentado de forma inovadora e satisfatória, e que as emissoras deveriam experimentar um pouco mais.
1- Programas baseados na audiência, sem levar e consideração o telespectador
Atualmente o maior foco para a escolha da programação são os índices de audiência, que é disparado um dos maiores erros das emissoras. Não digo que esse seja um índice sem importância, pelo contrário; ele é uma forma de saber se o programa está indo bem ou não; no entanto, muitas escolhas levam-no em consideração esquecendo o que realmente é importante: o telespectador. Um pensamento muito simples: o telespectador é quem faz os índices de audiência subirem ou descerem, e apesar de parecer uma coisa fácil e óbvia, qualquer comunicador está familiarizado com a dificuldade de conquistar e manter a atenção em seu produto. Não basta apenas mensurar os índices de audiência, e é aí que colocamos cada qual em seu lugar (inclusive no pódio de audiência) as emissoras devem conhecer os seus telespectadores e buscar formas de conquistar os telespectadores das concorrentes. A menor segmentação da televisão aberta cria outra dificuldade para a produção de novos programas, que devem agora levar em consideração os novos e velhos consumidores da mídia televisiva.
- 1. Novos espectadores
Consumidores de várias tecnologias, desejam uma programação mais rica e que lhes dê acesso a conteúdo 24×7 (24h por dia, 7 dias por semana) em diferentes meios.
- 2. Velhos espectadores
Público mais tradicional que prefere apenas assistir a programação da forma que é transmitida em fluxo.
2- Centro de pesquisa
O que diferencia, de uma forma grosseira, a primeira maior emissora do país? Podemos dizer com certeza que é o seu centro de pesquisa. As emissoras devem apostar em pesquisas, em saber o que realmente seu público deseja antes de apenas criar programas similares aos já apresentados e apenas inserir em horários concorrentes (que coincidem na faixa vertical e horizontal) ou complementares (que coincidem na faixa horizontal e são muitos próximos na faixa vertical). Não adianta apenas ser criativo, ser íntimo a ponto de ser o centro de atenção nas salas das residências é preciso saber administrar, negociar, comprar e vender. E não há empresa de sucesso que não conheça seu cliente. A Rede Globo de Televisão é o atual grande exemplo nacional de como a TV é um business extremamente complexo. O que nos leva ao próximo tópico.
3- TV como business
O que falta hoje é uma visão mais aperfeiçoada da televisão como negócio do entretenimento. Claro que cada empresa tem sua política, mas as estratégias de negócio devem ser pensadas de forma local (para atingir de frente seus concorrentes diretos) e global (fazer uma programação inserida na nova realidade mundial). O mesmo conteúdo pode vir de todas as partes do mundo, mas nem todo ele é pensado como negócio, muitas vezes ele é só um material que se tornou sucesso por acertar grande parte de uma fórmula complexa (a de criação, produção e distribuição).
4- Nova medição de “sucesso”
O sucesso de hoje não se baseia apenas em quantas pessoas assistem aquele programa. Todo o buzz gerado na mídia online e offline deve ser levado em consideração. O que pode ser sucesso pra determinado programa, pode não ser para outro. Um anunciante pode ter muito mais interesse em manter um público fiel em um programa de nicho, quando esse for seu foco direto de atuação.
5- Atrair novos anunciantes
Novos programas podem sugerir novas estratégias de comercialização, mesmo que dentro de um mesmo modelo de negócios, e um diferencial para qualquer emissora seria atrair anunciantes de forma inusitada. Muitas empresas que têm uma visão de negócios pautada na inovação seriam atraídas por espaços diferenciados nos breaks comerciais. Algumas opções são comerciais seriados de 30” (como o da Nova Schin), comerciais com branded content, promercials ou até mesmo os tradicionais comerciais com uma temática mais inusitada.
Para uma empresa emergente, a aposta seria investir em pesquisa para conhecer seu público, uma grade de programação engessada, que tem a programação vertical/horizontal da Rede Globo como modelo, não vai levá-las ao topo. A grande campeã já faz isso muito bem há mais de 50 anos. À Rede Globo eu recomendaria aproveitar toda a máquina televisiva construída, todo o know-how de se fazer televisão para inovar e experimentar, garantindo sua liderança não só no gosto popular, mas também no campo de referência que, inevitavelmente, ela se torna a cada temporada.
“Tô Frito”
31/08/2010
Depois de muito tempo, volto ao blog pra dar meus pitacos. Muitas coisas aconteceram, inclusive uma falta absurda de coisas pra falar. Assunto tinha, só me faltava vontade de compartilhar… Mas agora estou de volta!
Há exatamente uma semana vi alguma coisa sobre um tal de “Tô Frito” no Twitter, lendo muitas coisas acabei esquecendo de procurar mais informações. No dia seguinte, ouvi falar sobre o formato da série e da sua presença na Internet, algo que sempre me interessa muito. Comecei a ler algumas coisas, mas a correria do dia e o uso compartilhado do computador (e consequentemente o fechamento ocasional de algumas abas) impediram que eu prosseguisse com a minha leitura. Hoje, após assistir ao CQC (que me surpreendeu negativamente) fui informada de que seria exibido mais um episódio.
O programa começa muito bem, a geladeira, as animações e o angustiante ovo frito me cativaram, mas nem tudo continua tão bem… Como não tinha qualquer informação sobre a série, comecei a especular com a minha roomie como o projeto havia sido concebido. No início pensei que pudesse ser um projeto independente que posteriormente tivesse sido comprado pela Nestlè, o que justificaria uma qualidade técnica muito abaixo do que se espera de um projeto patrocinado por uma empresa tão grande. A dramaturgia parece estar em uma gangorra, coisas muito boas e muito ruins. Toda a Arte é excepcional. Os cenários e os inserts de animação são realmente muito bons. As locações foram muito bem escolhidas,mas acabam escondidas pelo áudio abafado e fotografia estranha. A composição das imagens é muito bem pensada, mas as personagens parecem andar sempre na sombra. Além disso, alguns detalhes chamam a atenção, como o ônibus que parece não se movimentar e o sotaque da personagem principal que parece sumir na maioria das cenas. Por falar em personagem, não é preciso muito esforço para entender do que a série se trata: um cara do interior que vai à capital em busca de emprego e encontra uma nova vida á qual tem que se adaptar. Após assistir o episódio fui buscar mais informações e descobri que a cidade de São Paulo também ganha peso como personagem; pelo menos esse episódio essa personagem não ganha muita força, ao contrário do ovo frito.
Não sei o quanto há de participação, ou sequer se o ovo também entra como personagem, mas para mim ele se torna peça chave na construção da narrativa e mostra claramente a relação do jovem com a nova vida.
A série tem uma vida muito ativa na internet, os episódios são disponibilizados e desde o começo há uma forte atuação em redes sociais e conteúdo adicional no site. Devo dizer que não consegui prestar muita atenção nos enquadramentos e na montagem, porque acabava voltando minha atenção para outras coisas, mas como acho que muda muia coisa na internet, pretendo acompanhar a série na televisão.
“Tô Frito” é exibido na Band, MTV e no Terra TV.
Sites relacionados:
Muita gente se vê por aqui
26/06/2010
A Globo deveria ser como um hospital, que possibilita aos seus recém formados a oportunidade de uma residência.
Essa frase extremamente emblemática me foi posta, em outras palavras, essa semana em um seminário sobre as tendências de linguagem na TV.
Indiscutivelmente, a penetração da Rede Globo no país reflete em toda a construção da comunicação brasileira. O poder adquirido pela emissora pode ser colocado em foco através do tripé: consolidação da grade horária + padrão de qualidade + confiança. Há 45 anos, a vem desenvolvendo e aprimorando suas técnicas de transmissão às massas, ou como podemos ouvir de seus executivos, a todo público.

Em uma análise, que não precisa ser muito profunda, da produção televisiva da Globo, esse tripé pode ser percebido muito rapidamente. Há, no entanto, um fenômeno que me chama muita atenção: a forma como a população brasileira usa a grade de programação da emissora praticamente como um relógio biológico.
Quem pode dizer que nunca marcou um encontro “depois do BBB”, que nunca soube de famílias que colocavam os filhos na cama “depois da novela” ou que nunca se viu deitado no momento em que o Faustão faz alguma piada sobre essa mesma ação?
Quão estranho seria ligar a TV durante a noite e ao invés de encontrar Fátima Bernardes e Willian Bonner no no balcão, deparar-se com um filme, um programa de comédia ou quem sabe um desenho animado? Muito.
Grande parte da população encontra na grade de programação um relógio preciso, talvez até um cronômetro para as suas atividades. Até hoje, conheci apenas uma pessoa que não tinha a referida programação como parte constituinte do seu dia a dia; só depois de algum tempo na faculdade (de Rádio e TV…) e sem a possibilidade de recorrer à TV fechada, ela se deu conta que não havia transmissão da emissora em sua casa.
Além desse caso, que tive a felicidade de conhecer, pois sinto que me deixa acima dos outros mortais em posição privilegiada (vamos combinar que são poucos que compartilham dessa experiência), nunca soube de outra pessoa tão desprendida. Talvez, isso aconteça porque a situação de controle e regularidade, gerada pela sucessão de programas devidamente ordenados em dias e horários traz imenso conforto.
É muito simples, é só imaginar a satisfação proporcionada pelo saber e pela previsibilidade; antes de dormir você pode saber o que aconteceu no mundo naquele dia, logo depois poderá entreter-se (afinal, quem deseja dormir com a cabeça cheia de imagens e informações?) e ainda garante assunto para a conversa do ônibus e do cafezinho, no dia seguinte.
Imagine como seria passar algum tempo aprendendo como funciona a máquina de comunicação, entender de fato, e não através de textos publicados por quem não deseja ensinar ou por quem nunca realmente aprendeu do que se trata, como parar um país em frente a uma caixa, através do (acredito eu que extinto) Plantão, ou do fim de um reality show.
Apesar das inúmeras controvérsias, a rede do PLIM-PLIM pode ser considerada por si só uma universidade, e não só de televisão, mas de inúmeros processos comunicacionais, tecnológicos e mercadológicos. Dessa forma, não é difícil entender o quanto a possibilidade de destrinchar os processos que ocorrem entre aqueles estúdios e salas de reuniões é sedutora, inclusive para os acadêmicos, que dedicam horas ao estudo e a observação dos processos de mudança da programação.
(PS.: a pessoa citada no texto já está devidamente inserida na comunidade de telespectadores globais!)
O fim
22/05/2010
Há quem ame e quem odeie. No entanto, ninguém pode negar que LOST mudou muito a forma de se consumir TV; pela primeira vez um seriado foi tão a fundo na idéia de misturar ficção e realidade. Anos antes algumas experiências já haviam sido feitas, você podia buscar informações fora da TV que ajudavam a entender a trama ou apenas serviam para dar informações adicionais, no entanto, o seriado da ABC utilizou-se disso como ninguém. Os fãs se tornaram seguidores e criaram um movimento ainda maior do que a própria série. Ao procurar o termo “LOST” no Google, você encontra 544.000.000 resultados…
Não sou especialista, devo dizer que não acompanho a série desde o início. Comecei a ver há exatamente um ano e agora estou correndo para ver o máximo antes do episódio final. Sei que não vou conseguir assistir a tudo, mas não quero perder o fenômeno que ocorrerá amanhã. Os fãs ganharão uma maratona com reprises, melhores momentos e serão finalmente coroados com um final de 2h30. Sim, o último episódio da série terá 2h30!
Seria impossível tentar transcrever todas as ações que ocorreram nos últimos anos, deixo isso para os fãs de carteirinha. Mas não posso deixar de dizer que a narativa foi SENSACIONAL! Tiro meu chapéu para os criadores da série, afinal, a produção seriada agora terá um marco, e será dividida entre o que veio antes e depois de LOST.
Aos futuros órfãos, boa despedida amanhã!
Dúvida cruel…
21/05/2010
Lendo algumas coisas me deparei com a seguinte notícia: “Economista passa 18 meses vivendo sem dinheiro e diz que nunca foi tão feliz”. Comecei a imaginar uma pessoa numa casa velha, suja e passando fome. Decidi ler para tentar entender como alguém consegue viver sem dinheiro, nem que seja por meia dúzia de dias.
O cara conseguiu um trailer (trocou por alguma coisa), convenceu o dono de uma fazenda a ceder um espaço pra ele em troca de comida, que ele mesmo plantava, e viveu assim por 18 meses. Achei bacana, até ler que ele pretende viver desse jeito para o resto da vida.
Até entendo o lado bucólico dessa decisão, a vontade de fazer e ser algo diferente, fugir das pressões do capitalismo… Só não consegui entender como ele vai fazer para inserir essa nova comunidade que ele pretende criar no mundo real.
Ele é jovem e não havia qualquer informação sobre família, comeu o que plantava e construiu o que precisava. Será que ele pretende ser um ermitão ou pensa em ter uma família? Se algum dia decidir ter uma família, poderá plantar algodão, fabricar um tear e fazer as fraldas dos próprios filhos, que terão uma alimentação balanceada e poderão aprender a ler em casa. Ele vai levá-los a pé até um posto de saúde para tomar as vacinas-ou não. Alguns anos depois do nascimento dos 5 filhos, ele decidirá ensiná-los a fabricar suas próprias coisas, quem sabe um carrinho de rolimã. As crianças vão correr por dias com o brinquedo e vão esquecê-lo algumas noites na chuva, até lembrarem-se dele novamente. Enquanto apostam uma corrida, uma das crianças vai pedir que o irmão vá mais rápido. O irmão mais velho não vai ver uma pedra coberta por muito limo e vai bater. As duas crianças vão voar por alguns segundos e ao bater no chão, uma delas pode até se machucar gravemente. O pai, como todo pai, vai ficar desesperado e vai correr com a criança…a pé… até o posto médico mais próximo, e lá, entregará uma cabra em troca dos cuidados com seu filho….
Mark Boyle começou sua jornada para chamar atenção ao consumo desenfreado da sociedade em que vivemos. Hoje, quer disseminar a idéia de que as pessoas devem voltar a confiar umas nas outras.
Duas grandes questões pairam na minha cabeça.
A sociedade em que vivemos não é fruto das transformações ocorridas em milhares de anos?
Quão inovadora é a proposta de Boyle? Achei que já tivesse visto isso em algum lugar…
O que me deixa mais confusa é o fato de Mark não ignorar a importância do dinheiro, seu escambo acontece com pessoas que pagam por serviços, mas negociam o uso com ele através de mercadorias e trabalho. Acho admirável a conduta do homem e desejo sucesso. Só não sejamos hipócritas, ele não vai deixar de usar o dinheiro, simplesmente parou de manusear notas em suas próprias mãos.
Gostaria apenas de saber que nome Mark Boyle dará ao seu feudo.
